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A Necessidade de Muitos Imprimir E-mail
Por Estelle1 e Mirkwood Cat   
07 de outubro de 2006
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A Necessidade de Muitos
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Capítulo 3 – Talvez Seja Melhor Assim

Uma lufada de vento gelado varreu a floresta e um tremor percorreu a figura magra do elfo. Ele sentiu como se o vento o tivesse atravessado. Entre os seus ferimentos e o veneno que estava provocando um caos dentro de seu corpo, ele guardava desesperadamente a esperança de conseguir terminar o caminho até Valfenda antes que o seu corpo falhasse. Envolvendo os braços de forma apertada ao redor de seu peito, ele cambaleou adiante, e tão concentrado estava em conseguir colocar um pé em frente ao outro, que ele sequer percebeu que os ferimentos do seu ombro e peito ainda sangravam abundantemente. O veneno interferira com a habilidade natural de cura do elfo.

Horas passaram-se desde que ele iniciara a jornada. O elfo, normalmente confiante, começou a tropeçar com mais frequência e estava no brinque de um colapso. A sua determinação se esvaindo a cada passo enquanto o seu corpo gritava para que ele parasse. A dor de cabeça crescente e a visão que se turvava tornavam ainda mais difícil que ele se concentrasse na sua corrente missão. Valfenda estava a cerca de uma hora, mas, no seu estado enfraquecido, esta distância parecia uma eternidade. Tão perto, e ao mesmo tempo tão longe. Ele ponderou se não seria melhor simplesmente deitar e permitir que o destino tomasse o seu rumo ao invés de ter que sofrer o que Delund havia prometido. Lorde Elrond não podia saber dessa ameaça. O que significava que não havia mais ninguém a quem ele podia pedir ajuda. Andando por sobre uma grama mais alta, Legolas arrastou o seu corpo exausto na direção de uma grande árvore e deixou-se ir ao chão. Encostando-se na árvore, ele fechou os olhos em pura exaustão e suspirou com tristeza. Talvez fosse melhor assim.


A cabeça de Elrohir levantou-se rapidamente ao ouvir o som e ele ficou de pé, seus olhos élficos estudando a área à sua direita. “Estel, acorde.” Ele chamou Aragorn suavemente.

"Hmm?" Aragorn se moveu, piscando os olhos para tentar se livrar do sono e buscando determinar se ele estava sonhando ou se alguém estava realmente tentando despertá-lo. Ele se ergueu, apoiando-se em um cotovelo quando Elrohir sacudiu-lhe levemente
o ombro com o pé, seus olhos nunca deixando a área de onde o som havia vindo.

Mais cedo naquele dia, Aragorn e Elrohir tinham decidido caçar um pouco para repor o estoque de comida antes da chegada de Legolas a Valfenda para a celebração do aniversário do guardião. O gêmeo mais velho se voluntariou para ficar para trás e organizar as preparações para o dito evento. O tempo estava fresco e agradável, um dia perfeito para uma caçada, apesar de eles saberem que havia o risco de a temperatura cair ao anoitecer. Elladan convencera o seu irmão humano a empacotar um manto extra no caso do tempo dar uma virada para o pior, e depois de muita persuasão, que no final pareciam mais ameaças, Aragorn finalmente concordou relutantemente. Ele odiava quando seus irmãos davam uma de super-protetores.

A cavalgada até a floresta foi bastante animada, a discussão anterior rapidamente esquecida. Os dois irmãos implicavam um com o outro incansavelmente, enquanto dirigiam-se mais para dentro da floresta, mas, desde então, Elrohir já tinha começado a agir de forma estranha, afirmando que estava ouvindo coisas que não existiam.

“Você ouviu isso?” Elrohir perguntou, a sua voz afastando Aragorn do confortável mundo de sonhos em que ele estava.

Ainda grogue do sono, o guardião olhou o seu irmão com curiosidade. “Ouviu o que?” ele perguntou por entre bocejos. Essa era a quinta vez que o gêmeo afirmava ter ouvido alguma coisa aquela noite e ele começou a pensar no que poderia ter feito o seu irmão ficar tão sobressaltado. No começo, Aragorn ficou um pouco desconcertado, quando Elrohir insistiu que tinha ouvido alguma coisa. Porém, depois do terceiro alarme falso, ele pensou que o elfo tinha finalmente ficado louco. O som de um graveto quebrando trouxe Aragorn aos seus pés em um instante, a sua mão esquerda agarrando o seu arco com força, e a mão direita instintivamente buscando uma flecha das suas costas e encontrando nada se não ar. Aragorn praguejou baixinho e, apesar da seriedade da situação, Elrohir sorriu em face da reação nervosa do irmão. Aragorn então levou sua mão para a lateral do seu saco de dormir, erguendo a aljava, e a prendendo seguramente às suas costas. Ele inclinou a cabeça na direção do som e ouviu atentamente por alguns intantes mas o som não se repetiu. Elrohir estava feliz que o seu irmão tinha ouvido dessa vez pois ele estava começando a achar que a sua própria imaginação tinha tomado conta dele. Ou então ele estava ficando paranóico. Passar muito tempo com um guardião que tinha afinidade para encontrar problema consegue deixar um nervoso.

Acenando a cabeça em direção a sua direita. Elrohir mocionou silenciosamente para Aragorn segui-lo. A noite estava escura e Aragorn mal podia enxergar 1 metro à sua frente. Ele tremeu e imaginou quem ou o que iria se aventurar na floresta nesse frio. Orcs não seriam vistos tão próximos a Valfenda e todas as outras criaturas sãs estariam se escondendo nos seus respectivos abrigos. Puxando o seu manto por sobre os ombros e o amarrando um pouco mais apertado ao seu redor, ele considerou usar o segundo manto mas teve que abandonar esse pensamento quando viu Elrohir se afastando do acampamento para dentro das sombras. Tendo que depender somente da visão aguçada do seu irmão élfico para guiar o caminho, o guardião seguiu os seus passos de perto, pronto para atirar em qualquer coisa que representasse ameaça a eles.

Elrohir parou abruptamente causando Aragorn a bater de cabeça nele, quase derrubando o elfo ao chão. Após se equilibrarem novamente, o gêmeo apontou para uma figura no chão, com abandono encostada contra o tronco da árvore, sua cabeça caída para o lado, como se morta. Aragorn apertou os olhos, esperando ter uma visão melhor da criatura desafortunada, mas os seus olhos humanos não eram feitos para ver no escuro.

Elrohir quase se engasgou quando os seus olhos reconheceram a identidade da figura. "Oh Valar! É o Legolas!" Todos eles sabiam que Legolas deveria chegar a Valfenda por estes dias e até pensaram que poderiam encontrá-lo durante a sua pequena caçada. Nunca eles esperaram encontrar o príncipe nestas circunstâncias.

Continua...



Última Atualização ( 22 de maio de 2007 )
 
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