| O Livro Negro de Arda - CapÃtulo 3 |
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| Por traduzido por Tatyana "Moriel" Zabanova | |
| 30 de março de 2008 | |
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Continuamos a publicação da fanfic O Livro Negro de Arda, agora com o Terceiro Capítulo: O Coração do Mundo. Os demais capítulos podem ser encontrados aqui.
PARTE PRIMEIRA. O CORAÇÃO DO MUNDO
MEDO. O INÍCIO DOS TEMPOS Naquele tempo eles não eram inimigos - não existia nem a própria palavra “inimigo”. O mundo era jovem, e não havia alegria maior para os jovens Valar do que criar o novo. ...Aulë estava de pé, fitando o fogo; perante seus olhos erguiam-se visões ainda vagas de um novo plano. Vala Escuro aproximou-se silenciosamente e ficou ao seu lado. - A chama está dançando... - Você... está vendo algo nela? - Sim. Olha - a lava rachada lembra escamas, negras e douradas e vermelhas, e as chamas - asas... - Como você adivinhou? - Aulë alegrou-se. - Ah sim, claro! Sabe, eu só agora entendi até o fim, eu agora mesmo estava pensando sobre isso! Mas será que o vivo pode viver no fogo?.. - Tente... O mais velho dos Ainur traçava, pensativo, algumas figuras estranhas no ar. - O que é isso? - interessou-se Aulë. - A dança das chamas. Você também achou que isso lembra escritas ou runas? - Que?.. - Sinais, para anotar palavras, pensamentos, formas... - Para quê? - Para, ao mudar, não perder uma parte da sabedoria. Nem todos entre aqueles que ainda chegarão ao mundo serão iguais aos Ainur. Será útil para eles. Isso será chamado – C’at-er. Ou – C’ertar. Mas me perdoe, irmão, eu vejo na sua alma surgiu um plano. Eu o deixarei... ...Ele criou do fogo, cobre e ouro enegrecido o flexível corpo escamoso da lagartixa, as asas – de chamas, os grandes olhos alongados - de gotas de obsidiana. A criatura negra-dourada-vermelha escorregou da sua palma para o redemoinho do fogo, e Aulë suspirou e ficou petrificado de surpresa: a criatura dançava, e na dança do fogo ele adivinhava aqueles sinais que Melkor traçara. A base da dança era a runa Llach - o Fogo da Terra, e ele pensou que aquela-que-dança-no-fogo deveria se chamar assim mesmo - Llach. Aulë sorria feliz, olhando para a nova criatura, imaginando como Melkor ficará surpreso e alegre - ele sabia se alegrar surpreendentemente com as criações dos outros... O sorriso continuou assim mesmo no seu rosto, abrindo-se em dentes raivosamente arreganhados, quando algo ardente, semelhante a um aro ardente invisível, apertou a sua cabaça. Círculos rubros e negros começaram a dançar nos seus olhos e, com um gemido, ele desmoronou lentamente, murmurando sem voz - por que, por que, por que... “Isso não estava no Plano”. Ele não ouviu mais nada. - ...Aulë... Meu irmão! O que houve... Acorde... O que houve com você?! Olhos cor de cobre escuro com minúsculos pontos negros das pupilas. Que nada reconheciam. Cegos. Mortos. Ele ergueu Aulë do chão - o corpo do Ferreiro pendia molemente nos seus braços, - apertou seus ombros, olhou nos olhos, repetindo como a um feitiço - acorde... Devagar, muito devagar, o olhar de Aulë começou a adquirir algum sentido, mas agora nos seus olhos havia uma expressão nova - o medo, o horror insano devorando tudo. - O que aconteceu com você? Está sentindo alguma dor? - Dor... - por letras, num ritmo sem sentido. - Então, isso é que é dor. Eu não posso mais assim. Não posso. Ele repetia essas palavras infinitamente - uma firme voz morta, balançando devagar de um lado para o outro. E Melkor começou a entender o que havia acontecido. - Isso... foi por causa do seu plano? As mãos de Aulë estremeceram: - Não havia isso no Plano. Isso não deve existir. - Irmão!.. Melkor sacudiu-o com força pelos ombros. Aparentemente, funcionou; Aulë agitou a cabeça desesperadamente - e de repente começou a sussurrar de um modo confuso, com ardor: - Não posso ver isso, dói... Não quero matar... Porque isso está vivo - eu imploro, faça alguma coisa, porque me obrigarão a destruir - isso não deve existir, mas eu não quero, não posso... - Venha comigo. Verá, me bastarão poderes para protegê-lo. - Não, não adiantará, nada mais adiantará... Eu não quero, que - de novo, que fique assim - com você... Melkor encolheu os ombros, mas permaneceu calado. - Não, é que você não faz idéia de como isso dói... Acredite-me... Sei, você é forte, você sabe e pode mais que todos nos juntos... Vala Escuro reparou consigo mesmo nesse: “você” e “todos nos”. - ...mas ele é mais forte, ele o vencerá... Eu peço, Melkor, meu irmão - resigne-se... - a cada palavra, ficava mais nítido nos olhos de Aulë – aquele, recente, insuportável horror, ele falava cada vez mais rápido, afogando-se nas palavras. - Ou - vá, esconda-se, proteja-se - compreenda, todos, todos estarão contra você, todos, até eu - sim, sim, e eu também, porque eu não suportarei, não conseguirei - contra todos, mesmo que você amaldiçoe, mesmo que despreze, mas eu tenho medo, eu sei que isso é o medo, eu sei, sei, eu entendo tudo, mas - ficarei com eles... Sei - você não perdoará, já não importa, não há eu, compreenda, não, isso é somente uma casca, mas dentro dela - nada, além do medo – não há nada; você não entenderá, você não sabe o que é isso... E depois, algum dia, as suas forças não serão mais suficientes, então se apresse para criar, você de qualquer jeito não sabe fazer de outra forma, porque de qualquer jeito esse castigo o alcançará, você será destruído, mas não importa - enquanto pode... Ele parou de repente, um gemido voou dos lábios esbranquiçados – ele caiu no chão, o corpo dele contorceu-se, agitou-se brevemente e ficou imóvel. Isso era um sentimento novo - como uma onda de fogo negro: a ira. Melkor ergueu-se, cerrando os punhos, endireitou-se e, jogando a cabeça para traz, gritou: - Você... Único! Deixe-o! É fácil dominar aquele que é mais fraco; mas você tente - comigo! E ele ouviu palavras vindas do nada, do vazio morto e gelado: “Você disse”. Ele esperou um golpe, uma dor - não havia nada. Lançando um breve olhar para o céu, ele ajoelhou-se ao lado do corpo estendido no chão, colocou a mão sobre a fronte de Aulë e ficou imóvel... - ...Venha aqui, pequena, - baixo e triste, estendendo a mão através das chamas. – Olha só como tudo se deu... A pequena lagartixa de fogo voou para a sua palma, dobrou as asas e enrolou-se – pequeno coágulo de lava fria, só os olhos escuros olham com tristeza e culpa. - Vai viver comigo, fazer o quê... Só que seria melhor se ele também fosse embora conosco, o que você acha? A salamandra mexeu-se e piscou. - Talvez, ele ainda junte coragem... |
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| Última Atualização ( 30 de março de 2008 ) |
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